AVALIAÇÃO DE VARIÁVEIS SOCIODEMOGRÁFICAS E DA QUALIDADE DE VIDA DE PORTADORES DE HELMINTIASES INTESTINAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Marília Félix Chaves, Sabine Helena Dantas, Saul de Azevedo Souza, Allan Batista Silva, Francisca Inês de Sousa Feitas, Ulanna Maria Bastos Cavalcante, Caliandra Maria Bezerra Luna Lima

Resumo


Este estudo tem como objetivo avaliar as variáveis sociodemográficas e a Qualidade de Vida (QV) de pacientes portadores de helmintíases intestinais no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa-PB. Trata-se de um estudo exploratório de natureza observacional transversal, realizado no período de setembro de 2016 a fevereiro de 2017. Analisou-se 69 amostras, destas 18,8% foram positivas para helmintos, sendo 69,2% mulheres e 30,8% homens, a maior parte com idade entre 31 e 50 anos (38,5%), provenientes, em sua maioria (84,6%), do município de João Pessoa.  A espécie de parasito mais frequente foi a Schistosoma mansoni (30,8%), seguido de Ascaris lumbricoides (23,1%) e Strongyloides stercoralis (23,1%), e grande parte dos infectados eram monoparasitados (84,6%). Nos positivos, a prevalência foi de pessoas que não sabiam o seu grau de instrução (38,5 %), seguido de analfabetismo, (23,1%), e tendo grande parte (46,2%) sobrevivendo com renda familiar igual a um salário mínimo. Quanto a QV SF-36, observou-se que os domínios aspecto físico, estado geral de saúde e limitação por aspecto emocional, apresentaram as menores médias, sendo os mais afetados na opinião dos pacientes, com médias de 42,3, 45,7 e 41,0, respectivamente. Conclui-se que os resultados obtidos apontam para uma necessidade de investimento em educação sanitária que resulte em diminuição da prevalência das Helmintíases e melhorias na qualidade de vida da população

Palavras-chave


Helmintíase intestinal; Qualidade de vida; Prevalência; Nível de escolaridade.

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DOI: https://doi.org/10.33362/ries.v9i1.1675

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