“Felicidade não é um bem que se mereça”: o que as empresas estão fazendo para merecer trabalhadores felizes?

“Happiness is not a good to be deserved”: what are companies doing to deserve happy workers?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33362/visao.v14i2.3812

Palavras-chave:

Felicidade Organizacional, Gestão de Pessoas, Bem-estar no Trabalho, Psicologia Organizacional

Resumo

Este artigo apresenta uma revisão integrativa da literatura sobre práticas organizacionais voltadas à promoção da felicidade no trabalho, tendo como objetivo analisar as práticas organizacionais voltadas para a promoção da felicidade dos trabalhadores pelas empresas na atualidade. A pesquisa foi realizada nas bases de dados Google Acadêmico, SciELO e Redalyc, considerando publicações entre 2020 e 2025. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados seis estudos para análise crítica. Os resultados indicaram que práticas como reconhecimento, desenvolvimento de competências, comunicação interna eficaz, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e liderança ética são associadas ao fortalecimento do bem-estar dos trabalhadores. Entretanto, a revisão também revelou limites importantes, como a predominância de abordagens simbólicas que tratam a felicidade como estratégia de marketing interno, sem a correspondente transformação das condições laborais. Além disso, observou-se a carência de estudos brasileiros, indicando a necessidade de produção científica que considere as especificidades do contexto nacional. A reflexão crítica, ancorada na frase de Jorge Forbes — “felicidade não é um bem que se mereça” —, aponta que a felicidade no trabalho não deve ser concebida como recompensa meritocrática, mas como resultado de ambientes organizacionais éticos e acolhedores, capazes de respeitar a dignidade e a subjetividade dos trabalhadores.

Palavras-Chave: Felicidade Organizacional. Gestão de Pessoas. Bem-estar no Trabalho. Psicologia Organizacional.

 

Abstract: This article presents an integrative literature review on organizational practices aimed at promoting happiness at work, with the objective of analyzing how companies have implemented actions to strengthen employees’ well-being. The research was conducted in the Google Scholar, SciELO, and Redalyc databases, considering publications between 2020 and 2025. After applying inclusion and exclusion criteria, six studies were selected for critical analysis. The results show that practices such as recognition, skills development, effective internal communication, work-life balance, and ethical leadership contribute to the promotion of organizational happiness. However, the review also identified the predominance of symbolic approaches, in which happiness is used as an internal marketing strategy without corresponding changes in working conditions. In addition, a lack of Brazilian studies was observed, highlighting the need for further research that considers the specificities of the national context. The critical reflection, inspired by Jorge Forbes’ statement — “happiness is not a good that one deserves” — emphasizes that happiness at work should not be understood as a meritocratic reward, but as the outcome of ethical, fair, and inclusive organizational environments that respect workers’ dignity and subjectivity.

Keywords: Organizational Happiness. People Management. Well-being at Work. Organizational Psychology.

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Publicado

2025-12-26

Como Citar

DO NASCIMENTO MASCARENHAS, Iza Maria; LEITE MOREIRA, Liliane. “Felicidade não é um bem que se mereça”: o que as empresas estão fazendo para merecer trabalhadores felizes? “Happiness is not a good to be deserved”: what are companies doing to deserve happy workers?. Revista Visão: Gestão Organizacional, Caçador (SC), Brasil, v. 14, n. 2, p. e3812-e3812, 2025. DOI: 10.33362/visao.v14i2.3812. Disponível em: https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/visao/article/view/3812. Acesso em: 18 abr. 2026.

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