CASOS DE INTOXICAÇÃO POR AGROTÓXICOS EM MALEICULTORES E ANÁLISE DOS RESPECTIVOS PRONTUÁRIOS DE ATENDIMENTO

Autores

  • Tiago da Cruz Nogueira UNIPLAC
  • Simone Vassem de Oliveira UNIPLAC
  • Larissa Morello
  • Kelly Scherer de Oliveira UNIPLAC
  • Bruna Fernanda da Silva UNIPLAC
  • Ana Emília Siegloch UNIPLAC
  • Lenita Agostinetto UNIPLAC

DOI:

https://doi.org/10.33362/ries.v11i1.1600

Palavras-chave:

contaminação, diagnóstico, Malus domestica, pesticidas, saúde do trabalhador rural.

Resumo

Atualmente, o Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos. O aumento do uso e manuseio desses produtos químicos pode provocar o aumento nos casos de intoxicações humanas, oferecendo risco à saúde do trabalhador rural e ao próprio ambiente. A expansão crescente da agricultura na Região da Serra Catarinense provoca o consequente incremento do uso de agrotóxicos, que pode culminar com o aumento dos casos de intoxicações e colocar em risco à saúde do trabalhador rural.  O objetivo desse estudo foi levantar possíveis casos de intoxicação por agrotóxicos em maleicultores de um município da Serra Catarinense e comparar as informações coletadas com seus respectivos prontuários de atendimento médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) que atende a região estudada. Foram entrevistados 66 maleicultores dos quais 11 manifestaram intoxicação por agrotóxicos. Os resultados demonstraram que os indivíduos que informaram ter sofrido intoxicação por agrotóxicos apresentaram no mínimo dois sintomas, sendo que os mais comuns foram cefaleia e irritação da pele, relacionados principalmente, ao uso de Mancozebe, Fenitrotiona e Difenoconazol.  Na UBS, Foram encontrados quatro prontuários referentes a esses indivíduos, entretanto em nenhum deles o diagnóstico foi descrito como intoxicação, apesar de alguns sintomas descritos no prontuário remetessem a sintomas de intoxicação por agrotóxicos.  Conclui-se que há casos de intoxicação na região, entretanto, os respectivos prontuários de atendimento não associam o caso à intoxicação por agrotóxicos.

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Publicado

2022-07-29

Edição

Seção

Estudos Interdisciplinares em Saúde