GRAU DE PROCESSAMENTO COMO INDICADOR DE QUALIDADE DA AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR PARA A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

Autores

  • Roberta Lamonatto Taglietti Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó. Área de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Chapecó, Santa Catarina, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3814-6326
  • Carla Rosane Paz Arruda Teo Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Área de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Chapecó, Santa Catarina, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-1534-6261
  • Gisele Assumpção Vieira Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó.

DOI:

https://doi.org/10.33362/ries.v11i1.2653

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo analisar o grau de processamento dos alimentos listados nas chamadas públicas para aquisição de alimentos provenientes da agricultura familiar para a alimentação escolar em Santa Catarina e, ainda, explorar a aplicabilidade do parâmetro do grau de processamento por nutricionistas responsáveis técnicos do PNAE. Estudo do tipo analítico de base documental, desenvolvido em uma perspectiva longitudinal retrospectiva, que utilizou o método Delphi para produzir um consenso sobre a classificação dos alimentos registrados nas chamadas públicas de aquisição da agricultura familiar para a alimentação escolar no estado de Santa Catarina. Para compor o grupo de especialistas, foram convidados 11 Nutricionistas que atuam como responsáveis técnicas pelo PNAE em municípios de Santa Catarina e que participaram de duas rodadas de classificação de 473 alimentos por grau de processamento em in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados. A partir da realização das duas rodadas para classificação dos alimentos, obteve-se consenso dos especialistas para 83,93% (n=397) deles, sendo 370 (78,22%) na primeira rodada e mais 27 (5,71%) na segunda. Restaram, assim, 76 itens (16,06%) para serem classificados pelas pesquisadoras. O mínimo grau de processamento foi o de mais difícil identificação pelos especialistas. Os resultados alcançados indicaram que, predominantemente, têm sido demandados alimentos in natura e minimamente processados da agricultura familiar para a alimentação escolar. Além disso, foi observada dificuldade na aplicação do grau de processamento para classificação dos alimentos provenientes da agricultura familiar.

Biografia do Autor

Roberta Lamonatto Taglietti, Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó. Área de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Chapecó, Santa Catarina, Brasil.

Nutricionista. Mestre em Ciências da Saúde e Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó. 

Carla Rosane Paz Arruda Teo, Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Área de Ciências da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Chapecó, Santa Catarina, Brasil.

Nutricionista. Doutora em Ciência de Alimentos. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó

Gisele Assumpção Vieira, Universidade Comunitária da Região de Chapecó-Unochapecó.

Nutricionista. Mestre em Ciências da Saúde.

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Publicado

2023-11-23

Como Citar

Lamonatto Taglietti, R., Paz Arruda Teo, C. R., & Assumpção Vieira, G. . (2023). GRAU DE PROCESSAMENTO COMO INDICADOR DE QUALIDADE DA AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR PARA A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR. Revista Interdisciplinar De Estudos Em Saúde, 11(1), 76–91. https://doi.org/10.33362/ries.v11i1.2653

Edição

Seção

Estudos Interdisciplinares em Saúde