PSICOLOGIA E CUIDADOS PALIATIVOS EM UTI NEONATAL

Autores

  • Amanda Caroline Inácio Psicóloga do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC
  • Dailany D´Aroz Vollmann Psicóloga do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC
  • Fabíola Langaro Doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina. Docente da Faculdade Guilherme Guimbala/Associação Catarinense e Ensino
  • Maria Consuelo da Costa Oliveira e Silva Psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe - Curitiba/PR.

DOI:

https://doi.org/10.33362/ries.v4i2.715

Palavras-chave:

Cuidados Paliativos, Psicologia, UTI Neonatal, Hospital Geral.

Resumo

RESUMO: O avanço tecnológico tem permitido a sobrevivência de neonatos prematuros e/ou com complicações clínicas graves. Porém, uma parcela desta população é acometida por condições incompatíveis com a vida, para a qual estariam indicados cuidados paliativos. Diante deste contexto, objetiva-se apontar possíveis atribuições do psicólogo enquanto profissional parte da equipe de UTI Neonatal e que trabalha em cuidados paliativos. Para tanto, foi realizada revisão bibliográfica integrativa. Destacam-se nos resultados as dificuldades enfrentadas pelas equipes para mudança de foco terapêutico e, consequentemente, a necessidade de implantar programas multiprofissionais sistematizados em cuidados paliativos. Aponta-se a importância do investimento na comunicação entre equipe e família, possibilitando tomada de decisões conjuntas. Neste sentido, o trabalho do psicólogo relaciona-se principalmente ao cuidado de pais e familiares, auxiliando-os na construção e manutenção de vínculo com o bebê, na comunicação com a equipe de saúde, no estímulo à expressão de sentimentos e elaboração das vivências relacionadas à hospitalização e à possibilidade de perda; e no suporte à equipe, mediando a comunicação e estimulando o reconhecimento de seus sentimentos frente à possibilidade de perda dos neonatos. Assim, espera-se oferecer cuidado humanizado a bebês, familiares e equipes, focando em ações que visem conforto e qualidade de vida.

Palavras-chave: Cuidados Paliativos. Psicologia. UTI Neonatal. Hospital.

 

Psychology and palliative care in neonatal icu

ABSTRACT: Technological advances have allowed the survival of preterm and/or newborns with severe clinical complications. However, part of this population is affected by conditions incompatible with life, which would be indicated for palliative care. Given this context, the objective is to point out possible assignments of the psychologist as part of the professional staff of the NICU and working in palliative care. To this end, an integrative literature review was performed. Stand out in the results the difficulties faced by the teams to change therapeutic focus and hence the need to deploy systematic multidisciplinary programs in palliative care. Pointed out the importance of investment in communication between staff and family, enabling joint decision. In this sense, the psychologist work is primarily related to the care of parents and families, assisting them in building and maintaining a bond with the baby, in communication with the healthcare team, encouraging the expression of feelings and experiences related to the hospitalization and possible loss; and support staff, mediating communication and encouraging the recognition of their feelings towards the possibility of loss of neonates. Thus, we expect to provide humane care to infants, families and teams, focusing on actions aimed at comfort and quality of life.

Keywords: Palliative Care. Psychology. Neonatal ICU. Hospital.

Biografia do Autor

Amanda Caroline Inácio, Psicóloga do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC

Psicóloga Hospitalar do Centro Hospitalar Unimed. Graduada na FGG/ACE, especialista em Psicologia da Saúde e Hospitalar pela Faculdade Pequeno Príncipe (FPP).

Dailany D´Aroz Vollmann, Psicóloga do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC

Psicóloga Hospitalar do Centro Hospitalar Unimed. Graduada na Univille, especialista em Psicologia da Saúde e Hospitalar pela FPP.

Fabíola Langaro, Doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina. Docente da Faculdade Guilherme Guimbala/Associação Catarinense e Ensino

Possui Graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (2008), Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011) e Especialização em Psicologia da Saúde e Hospitalar pelas Faculdades Pequeno Príncipe (2014). Atualmente é doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina e docente do curso de psicologia da Associação Catarinense de Ensino.

Maria Consuelo da Costa Oliveira e Silva, Psicóloga do Hospital Pequeno Príncipe - Curitiba/PR.

Psicóloga Hospitalar do Hospital Infantil Pequeno Príncipe. Especialista em Psicologia Clínica – Abordagem Psicanalítica pela PUC PR, Especialista em Psicologia da Saúde e Hospitalar pela FPP, Mestre em Psicossomática e Psicologia da Saúde Pela PUC SP, Formação Continuada em Psicanálise pela Escola da Coisa Freudiana e Professora das Faculdades Pequeno Príncipe (FPP).

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Publicado

2016-01-08

Como Citar

Inácio, A. C., Vollmann, D. D., Langaro, F., & Oliveira e Silva, M. C. da C. (2016). PSICOLOGIA E CUIDADOS PALIATIVOS EM UTI NEONATAL. Revista Interdisciplinar De Estudos Em Saúde, 4(2), 80–95. https://doi.org/10.33362/ries.v4i2.715

Edição

Seção

Áreas Emergentes em Psicologia