Incidência de hanseníase em menores de 15 anos em Imperatriz, Maranhão (2015-2022)
Incidence of leprosy in children under 15 years of age in Imperatriz, Maranhão, Brazil (2015-2022)
DOI:
https://doi.org/10.33362/ries.v15i1.3552Palavras-chave:
Hanseníase, Doenças negligenciadas, Incidência, Doença endêmica, CriançaResumo
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa com baixa letalidade e alto potencial incapacitante. A detecção em menores de 15 anos é uma forma de análise sociodemográfica para o monitoramento da transmissão recente e da presença de focos ativos da bactéria na população. Esta pesquisa objetivou identificar a incidência dos casos de hanseníase em menores de 15 anos na cidade de Imperatriz de 2015 a 2022. Trata-se de um estudo realizado com dados de pacientes portadores de hanseníase coletados do DATASUS. Foram analisados o perfil clínico-sociodemográfico, os indicadores de eliminação e a qualidade dos serviços de saúde. Realizou-se análise descritiva, determinação das frequências absolutas e relativas e indicadores sociodemográficos preconizados pelo Ministério da Saúde. Identificaram-se 134 novos casos, 63,43% no sexo masculino, 66,42% na faixa etária de 10 a 14 anos, 52,99% pardos e 38,81% com escolaridade entre a 5ª e 8ª série do ensino fundamental. A maioria dos casos foi multibacilar (71,64%), com GIF zero (72,39%) e predominância da forma Dimorfa (65,67%). A taxa de detecção diminuiu de 28,53 em 2015 para 10,61 em 2021, mas aumentou para 41,57 em 2022. Os casos com GIF II representaram 11,76% em 2015 e reduziram para 8,33% em 2022. Quanto ao indicador de proporção de cura, houve uma mudança de "regular" em 2015 (88,89%) para "precária" em 2022 (20%). Os achados apontaram para uma hiperendemicidade, transmissão ativa da doença, diagnóstico tardio e falhas assistenciais, evidenciando uma incidência preocupante e um importante desafio para a saúde pública.
Palavras-chave: Hanseníase. Doenças negligenciadas. Incidência. Doença endêmica. Criança.
Abstract: Leprosy is an infectious disease with low lethality but high potential for disability. Detection in children under 15 years of age is an important sociodemographic indicator of recent transmission and active infection sources. This study aimed to describe the incidence of leprosy cases in children under 15 years of age in Imperatriz, Maranhão, Brazil, from 2015 to 2022. This is a study conducted using data from patients with leprosy collected from DATASUS. Clinical and sociodemographic profiles, elimination indicators, and healthcare service quality indicators were analyzed. Descriptive analysis was performed, including determination of absolute and relative frequencies and sociodemographic indicators recommended by the Ministry of Health. A total of 134 new cases were identified, predominantly in males (63.43%), aged 10–14 years (66.42%), of mixed race (52.99%), and with incomplete elementary education (38.81%). Multibacillary cases predominated (71.64%), with grade 0 disability (72.39%) and borderline clinical form (65.67%). The detection rate decreased from 28.53 in 2015 to 10.61 in 2021 but increased to 41.57 in 2022. Grade II disability cases decreased from 11.76% to 8.33%. The cure rate declined from 88.89% in 2015 to 20% in 2022. The findings indicate hyperendemicity, ongoing transmission, delayed diagnosis, and weaknesses in healthcare services, reinforcing the persistence of leprosy as a public health problem.
Keywords: Leprosy. Neglected diseases. Incidence. Endemic disease. Child.
Resumen: La lepra es una enfermedad infectocontagiosa con bajo riesgo de mortalidad, pero alto potencial incapacitante. La detección en menores de 15 años es un indicador importante de transmisión reciente y focos activos de infección. Este estudio tuvo como objetivo describir la incidencia de casos de lepra en menores de 15 años en Imperatriz, Maranhão, Brasil, de 2015 a 2022. Se trata de un estudio realizado a partir de datos de pacientes con lepra obtenidos del DATASUS. Se analizaron el perfil clínico y sociodemográfico, los indicadores de eliminación y la calidad de los servicios de salud. Se realizó un análisis descriptivo, con determinación de frecuencias absolutas y relativas e indicadores sociodemográficos recomendados por el Ministerio de Salud. Se identificaron 134 casos nuevos, con predominio en el sexo masculino (63,43%), edad entre 10 y 14 años (66,42%), raza parda (52,99%) y escolaridad incompleta (38,81%). Predominaron los casos multibacilares (71,64%), con grado 0 de discapacidad (72,39%) y forma clínica dimorfa (65,67%). La tasa de detección disminuyó de 28,53 en 2015 a 10,61 en 2021, pero aumentó a 41,57 en 2022. Los casos con grado II de discapacidad disminuyeron de 11,76% a 8,33%. La proporción de curación disminuyó de 88,89% en 2015 a 20% en 2022. Los resultados indican hiperendemicidad, transmisión activa, diagnóstico tardío y debilidades en los servicios de salud, evidenciando la persistencia de la lepra como problema de salud pública.
Palabras clave: Lepra. Enfermedades desatendidas. Incidencia. Enfermedades endémicas. Niño.
Referências
ALENCAR, André Luiz Moreira de et al. Epidemiologia da Hanseníase em um estado hiperendêmico do nordeste brasileiro (2016 A 2020). Revista Foco (Interdisciplinary Studies Journal), v. 16, n. 3, 2023.
ANCHIETA, Jefferson de Jesus Silva et al. Análise da tendência dos indicadores da hanseníase em estado brasileiro hiperendêmico, 2001–2015. Revista de Saúde Pública, v. 53, p. 61, 2019.
BRASIL, Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde-DATASUS. Disponível em http://www.datasus.gov.br. Acesso em: 16 de mar. de 2023a.
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico: Hanseníase. Brasília, DF, 2023b.
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIIE). Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde (DGITIS). Coordenação de Gestão de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (CPCDT). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. Brasília, DF, 2022.
BRASIL. Resolução nº 510 de 07 de abril de 2016: Dispõe sobre normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais e contempla detalhadamente o processo e registro de consentimento e do assentimento livre e esclarecido. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 07 abr,2016b.
BRASIL. Resolução nº 466 de 12 de dezembro de 2012: Dispõe sobre diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 dez, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Hanseníase no Brasil: caracterização das incapacidades físicas. Brasília, DF, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hanseníase 2024-2030. Brasília, DF, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Diretrizes para a vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde pública: manual técnico-operacional. Brasília, DF, 2016a.
CARVALHO, Maria Lucelia De Sousa et al. Análise do perfil clínico e epidemiológico de hanseníase em menores de 15 anos nos últimos 10 anos em um município localizado no sudoeste do Maranhão. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 15, n. 7, p. e10641-e10641, 2022a.
CARVALHO, Rosanilde Alencar et al. Incapacidades físicas da hanseníase em menores de 15 anos no estado do Tocantins, Brasil, 2001 a 2020. Research, Society and Development, v. 11, n. 5, p. e18311527995-e18311527995, 2022b.
DA PAZ, Wandklebson Silva et al. Impact of the COVID-19 pandemic on the diagnosis of leprosy in Brazil: An ecological and population-based study. The Lancet Regional Health–Americas, v. 9, 2022.
DA ROCHA, Camila Beatriz Alves et al. Hanseníase em menores de quinze anos em um município hiperendêmico. Hygeia: Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, v. 19, p. e1901, 2023. DOI: https://doi.org/10.14393/Hygeia1962845.
DA SILVA, Janiel Conceição et al. Factors associated with multibacillary leprosy in a region of northeastern Brazil. The Journal of Infection in Developing Countries, v. 17, n. 06, p. 846-853, 2023.
DE CAMPOS, Dalton Cristofer et al. Perfil epidemiológico da Hanseníase: desvelando a importância do diagnóstico precoce, tratamento e trabalho interprofissional no Distrito da Guia-MT. Anais do Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (SEREX) (ISSN 2764-1570), n. 5, p. 699-707, 2021.
DOS SANTOS, Gustavo dos Anjos Silva et al. Distribuição temporal da prevalência de hanseníase nas capitais nordestinas entre 2014 e 2021. Research, Society and Development, v. 11, n. 16, p. e569111638747-e569111638747, 2022.
FERNANDES, B. S. et al. Análise do quadro de hanseníase em menores de 15 anos na cidade de Imperatriz-MA entre os anos de 2015 a 2020: padrão epidemiológico, perfil clínico e qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Research, Society and Development, v. 11, n. 15, p. e103111536816, 11 nov. 2022.
FROES JUNIOR, Luis Alberto Ribeiro; SOTTO, Mirian Nacagami; TRINDADE, Maria Angela Bianconcini. Hanseníase: características clínicas e imunopatológicas. Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese), v. 97, n. 3, p. 338-347, 2022.
FUJISHIMA, Mayumi Aragão; LEMOS, Lanna Xantipa de Oliveira; DE MATOS, Haroldo José. Distribuição espacial da hanseníase em menores de 15 anos de idade, no município de Belém, estado do Pará, Brasil. Revista Pan-Amazônica de Saúde, v. 11, p. 9-9, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.5123/s2176-6223202000229.
GORDON, Ariadne Siqueira De Araujo et al. Incidência de hanseníase em menores de 15 anos acompanhados no município de Imperatriz, Maranhão, entre 2004 e 2010. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 21, n. 1, 2017. DOI: https://doi.org/10.25110/arqsaude.v21i1.2017.6072
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Cidades. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/imperatriz/panorama. Acesso em: 23 nov. 2022.
JOY, Nirma et al. Childhood Leprosy in Postelimination Era: A Clinico-Epidemiological Prospective Observational Study from India. Indian Dermatology Online Journal, v. 14, n. 6, p. 829-838, 2023.
JUNIOR, José Francisco Martoreli et al. Aglomerados de risco para ocorrência de hanseníase e as incapacidades em menores de 15 anos em Cuiabá: um estudo geoespacial. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 26, 2023. DOI: • https://doi.org/10.1590/1980-549720230006.2.
KHADILKAR, Satish V.; PATIL, Sarika B.; SHETTY, Vanaja P. Neuropathies of leprosy. Journal of the neurological sciences, v. 420, p. 117288, 2021.
LIMA, José Hugo Benvindo de Andrade; DA COSTA, Ruth Silva Lima. Características dos casos de hanseníase diagnosticados no estado do Acre no período compreendido entre 2018 a 2022. Research, Society and Development, v. 11, n. 15, p. e313111537235-e313111537235, 2022.
MIGUEL, Camila Botelho et al. Leprosy morbidity and mortality in Brazil: 2008–2018. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 25, n. 6, p. 101638, 2021.
MONTEIRO, Lorena Dias et al. Hanseníase em menores de 15 anos no estado do Tocantins, Brasil, 2001-2012: padrão epidemiológico e tendência temporal. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 22, 2019.
MORAES, Paulo Cezar de et al. Epidemiological characteristics and trends of leprosy in children and adolescents under 15 years old in a low-endemic State in Southern Brazil. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v. 63, p. e80, 2021.
NOBRE, Mauricio Lisboa et al. Multibacillary leprosy by population groups in Brazil: Lessons from an observational study. PLoS neglected tropical diseases, v. 11, n. 2, p. e0005364, 2017.
OLIVEIRA, Josuel Carlos. Perfil clínico-epidemiológico dos casos de hanseníase em menores de 15 anos com grau II de incapacidade física no Maranhão. Universidade Federal do Maranhão, 2023.
RAMOS, Antônio Carlos Vieira et al. Social inequalities and their association with the leprosy burden in a Brazilian city of low endemicity: An ecological study. Acta Tropica, v. 218, p. 105884, 2021.
RIBEIRO, Dannyel Macedo et al. Panorama epidemiológico da Hanseníase, doença tropical negligenciada que assola o nordeste brasileiro. Research, Society and Development, v. 11, n. 1, p. e23111124884-e23111124884, 2022.
SANTOS, Álisson Neves et al. Perfil epidemiológico e tendência da hanseníase em menores de 15 anos. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 54, 2020.
SANTOS, Sélton Diniz dos. Hanseníase em menores de 15 anos em Salvador (Bahia). 65f. Dissertação (Mestrado em Saúde Comunitária, área de concentração Epidemiologia) -Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.
SARODE, Gargi et al. Epidemiological aspects of leprosy. Disease-a-Month, v. 66, n. 7, p. 100899, 2020.
SILVA, Cristiano Soares da et al. Impact of health interventions on epidemiological and operational leprosy indicators in a hyperendemic municipality of Brazil. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v. 62, 2020.
SIQUEIRA, Thayane Santos et al. Clinical-epidemiological aspects and spatial analysis of leprosy relapses in an endemic area of Brazil. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, p. e267101018761-e267101018761, 2021.
SOUSA, Thallyson Jaryelson Soares et al. Casos de hanseníase notificados em menores de 15 anos em Bacabal-MA. Inova Saúde, v. 14, n. 4, p. 71-88, 2024. DOI: https://doi.org/10.5380/ce.v27i0.82221.
SOUZA, Carlos Dornels Freire de; MAGALHÃES, Mônica Avelar Figueiredo Mafra; LUNA, Carlos Feitosa. Hanseníase e carência social: definição de áreas prioritárias em estado endêmico do Nordeste brasileiro. Revista brasileira de epidemiologia, v. 23, p. e200007, 2020.
TALHARI, Carolina; TALHARI, Sinésio; PENNA, Gerson Oliveira. Clinical aspects of leprosy. Clinics in dermatology, v. 33, n. 1, p. 26-37, 2015.
VAN BRAKEL Wim H; PETERS, Ruth; DA SILVA PEREIRA, Zoica Bakirtzief. Chapter 4.5. Stigma Related to Leprosy – A Scientific View. In Scollard DM, & Gillis TP. (Eds.), International Textbook of Leprosy. American Leprosy Missions, Greenville, SC, 2019. https://doi.org/10.1489/itl.4.5
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Leprosy Elimination Monitoring Tool: The LEMT is a tool accompanying the technical guidance on interruption of transmission and elimination of leprosy. New Delhi: World Health Organization, Regional Office for South-East Asia; 2023.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Weekly epidemiological record. Global leprosy (Hansen disease) update, 2022: new paradigm – control to elimination. n. 37, 2023b, 98, 409–430. Disponível em: https://www.who.int/publications/journals/weekly-epidemiological-record. Acesso em: 18 de mar. de 2024.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Estratégia Global de Hanseníase 2021–2030: Rumo à zero hanseníase; 2020. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789290228509. Acesso em: 22 de nov. de 2022.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Guilherme de Oliveira Araújo , Erica Ribeiro Gomes Lima, Karine Keila de Sousa Vieira Sampaio , Michelli Erica Souza Ferreira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).





