Notificações de acidentes biológicos: análise crítica sobre desigualdades e precariedade laboral (2013-2023)
Biological accident notifications: a critical analysis of labor inequalities and precariousness (2013-2023)
DOI:
https://doi.org/10.33362/ries.v15i2.3621Palavras-chave:
Saúde do trabalhador, Riscos ocupacionais, Vigilância epidemiológica, Fatores socioeconômicosResumo
O presente estudo analisou as notificações de acidentes de trabalho com exposição a material biológico no estado de Alagoas entre 2013 e 2023, sob uma perspectiva crítica fundamentada nas categorias de desigualdade e precariedade laboral. Para tanto, realizou-se uma pesquisa epidemiológica descritiva e retrospectiva, de abordagem quantitativa, fundamentada em 10.012 registros obtidos junto ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As variáveis sociodemográficas e ocupacionais foram processadas por meio de estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas com o auxílio do software TabWin. Os resultados revelaram uma predominância marcante de acidentes entre mulheres (74,50%) e trabalhadores pretos e pardos (77,44%), o que evidencia processos de feminilização e racialização do risco biológico. A precariedade do trabalho manifestou-se tanto na elevada taxa de não emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (47,99%) quanto na expressiva incompletude de dados, com 28,85% de omissão na variável relativa à situação de trabalho. Conclui-se que as falhas estruturais nas notificações e a exposição desigual dos grupos vulnerabilizados reforçam a urgência de políticas de saúde que considerem os determinantes sociais e o impacto da precarização dos vínculos laborais na saúde pública.
Palavras-chave: Saúde do trabalhador. Riscos ocupacionais. Vigilância epidemiológica. Fatores socioeconômicos.
Abstract: This study analyzed occupational accident notifications involving exposure to biological material in the state of Alagoas, Brazil, between 2013 and 2023, through a critical lens based on the categories of inequality and labor precariousness. To this end, a descriptive and retrospective epidemiological study with a quantitative approach was conducted, using 10,012 records from the Notifiable Diseases Information System (SINAN). Sociodemographic and occupational variables were processed through descriptive statistics, employing absolute and relative frequencies via TabWin software. The results revealed a marked predominance of accidents among women (74.50%) and Black and Brown workers (77.44%), evidencing the feminization and racialization of biological risk. Labor precariousness was manifested both in the high rate of non-issuance of Occupational Accident Reports (47.99%) and in significant data incompleteness, with a 28.85% omission rate in the variable regarding employment status. The study concludes that structural failures in notification processes and the unequal exposure of vulnerable groups underscore the urgent need for health policies that address social determinants and the impact of precarious employment ties on public health.
Keywords: Occupational health. Occupational risks. Epidemiological surveillance. Socioeconomic factors.
Resumen: El presente estudio analizó las notificaciones de accidentes de trabajo con exposición a material biológico en el estado de Alagoas, Brasil, entre 2013 y 2023, bajo una perspectiva crítica fundamentada en las categorías de desigualdad y precariedad laboral. Para ello, se realizó una investigación epidemiológica descriptiva y retrospectiva, de enfoque cuantitativo, basada en 10.012 registros obtenidos del Sistema de Información de Agravios de Notificación (SINAN). Las variables sociodemográficas y ocupacionales fueron procesadas mediante estadística descriptiva, utilizando frecuencias absolutas y relativas con el apoyo del software TabWin. Los resultados revelaron una predominancia marcada de accidentes entre mujeres (74,50%) y trabajadores negros y mulatos/pardos (77,44%), lo que evidencia procesos de feminización y racialización del riesgo biológico. La precariedad laboral se manifestó tanto en la elevada tasa de no emisión del Informe de Accidente de Trabajo (47,99%) como en la significativa completitud deficiente de los datos, con un 28,85% de omisión en la variable relativa a la situación laboral. Se concluye que las fallas estructurales en las notificaciones y la exposición desigual de los grupos vulnerabilizados refuerzan la urgencia de políticas de salud que consideren los determinantes sociales y el impacto de la precarización de los vínculos laborales en la salud pública.
Palabras clave: Salud laboral. Riesgos laborales. Vigilancia epidemiológica. Factores socioeconómicos.
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