Contracepção cirúrgica no Brasil após a promulgação da Lei nº 14.443/2022

Surgical contraception in Brazil after Law nº 14.443/2022

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33362/ries.v15i1.3656

Palavras-chave:

Esterilização tubária, Vasectomia, Esterilização reprodutiva, Planejamento familiar

Resumo

Este estudo tem o objetivo de comparar o quantitativo de cirurgias contraceptivas antes e depois da vigência da Lei nº 14.443/2022, que retirou a necessidade de autorização pelo cônjuge, e avaliar a proporção de laqueaduras tubárias intra-cesárias sobre o total de laqueaduras. Trata-se de um estudo ecológico, com dados agregados por base territorial. Mediante o emprego da ferramenta de tabulação Tabnet, foram extraídos do DATASUS os quantitativos de vasectomias e laqueaduras tubárias custeadas pelo Sistema Único de Saúde por Unidade Federativa, de março de 2022 a fevereiro de 2024. Considerando o marco temporal da entrada em vigor da Lei nº 14.443/2022, a comparação entre o volume cirúrgico de março/2022 a fevereiro/2023 com o de março/2023 a fevereiro/2024, mostrou um incremento no número de laqueaduras de 92,6%, enquanto o aumento no número de vasectomias foi de apenas 35,9%. Um ano após a promulgação da nova lei, foi constatado que a quantidade de vasectomias representou 31,2% das cirurgias contraceptivas realizadas. Foi verificado também aumento de 103% no número de laqueaduras tubárias intra-cesárias nesse mesmo período. Portanto, apesar de ser um método de menor risco, mais simples e de menor custo, a vasectomia continua sendo a cirurgia contraceptiva menos realizada no Brasil. Após a promulgação da Lei nº 14.443/2022, houve um aumento ainda maior do número de laqueaduras em relação ao número de vasectomias. Diante disso, fica evidente a necessidade de políticas públicas mais eficientes para garantir o acesso equitativo à contracepção cirúrgica no Brasil.

Palavras-chave: Esterilização tubária. Vasectomia. Esterilização reprodutiva. Planejamento familiar.

Abstract: This study aims to compare the number of contraceptive surgeries before and after the enactment of Law No. 14,443/2022, which removed the need for spousal authorization, and to evaluate the proportion of intra-cesarean tubal ligations in the total number of tubal ligations. This is an ecological study, with data aggregated on a territorial basis. Using the Tabnet tabulation tool, the numbers of vasectomies and tubal ligations paid for by the public health system by Federative Unit were extracted from DATASUS, from March 2022 to February 2024. Considering the time frame of the entry into force of Law No. 14,443/2022, the comparison between the surgical volume from March/2022 to February/2023 with that from March/2023 to February/2024 showed an increase in the number of tubal ligations of 92.6%, while the increase in the number of vasectomies was only 35.9%. One year after the enactment of the new law, it was found that the number of vasectomies represented 31.2% of the contraceptive surgeries performed. A 103% increase in the number of intra-cesarean tubal ligations was also observed in the same period. Therefore, despite being a lower-risk, simpler, and less expensive method, vasectomy continues to be the least performed surgical contraceptive method in Brazil. After the enactment of Law No. 14,443/2022, there was an even greater increase in the number of tubal ligations in relation to the number of vasectomies. Given this, the need for more efficient public policies to guarantee equitable access to surgical contraception in Brazil becomes evident.

Keywords: Sterilization, tubal. Vasectomy. Sterilization, reproductive. Family planning.

Resumen: Este estudio tiene como objetivo comparar el número de cirugías anticonceptivas antes y después de la promulgación de la Ley N.° 14.443/2022, que eliminó la necesidad de autorización conyugal, y evaluar la proporción de ligaduras tubáricas intracesáreas respecto al total de ligaduras tubáricas. Se trata de un estudio ecológico, con datos agregados por base territorial. Utilizando la herramienta de tabulación Tabnet, se extrajo de DATASUS el número de vasectomías y ligaduras de trompas financiadas por el Sistema Único de Salud (SUS) por Unidad Federativa, de marzo de 2022 a febrero de 2024. Considerando el marco temporal de la entrada en vigor de la Ley n.º 14.443/2022, la comparación entre el volumen quirúrgico de marzo de 2022 a febrero de 2023 con el de marzo de 2023 a febrero de 2024 mostró un aumento en el número de ligaduras de trompas del 92,6%, mientras que el aumento en el número de vasectomías fue de solo el 35,9%. Un año después de la promulgación de la nueva ley, se encontró que el número de vasectomías representó el 31,2% de las cirugías anticonceptivas realizadas. También se verificó un aumento del 103% en el número de ligaduras de trompas intracesáreas en el mismo período. Por lo tanto, a pesar de ser un método de menor riesgo, más sencillo y económico, la vasectomía sigue siendo la cirugía anticonceptiva menos realizada en Brasil. Tras la promulgación de la Ley n.º 14.443/2022, se observó un aumento aún mayor en el número de ligaduras de trompas en comparación con el de vasectomías. Ante esto, es evidente la necesidad de políticas públicas más eficientes para garantizar el acceso equitativo a la anticoncepción quirúrgica en Brasil.

Palabras clave: Esterilización tubaria. Vasectomía. Esterilización reproductiva. Planificación familiar.

Biografia do Autor

Robson Augusto Andrade Cardoso dos Apóstolos , Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

Doutor em Medicina e Saúde Humana

Bruno Gil de Carvalho Lima , Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

Livre-Docente de Medicina Legal e Deontologia Médica. Doutor em Saúde Pública.

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Publicado

2026-06-16

Como Citar

Andrade Cardoso dos Apóstolos, R. A., & de Carvalho Lima, B. G. (2026). Contracepção cirúrgica no Brasil após a promulgação da Lei nº 14.443/2022: Surgical contraception in Brazil after Law nº 14.443/2022. Revista Interdisciplinar De Estudos Em Saúde, 15(1), e3656. https://doi.org/10.33362/ries.v15i1.3656

Edição

Seção

Saúde Pública, Epidemiologia e Políticas de Saúde