Novas abordagens terapêuticas na hipertensão arterial resistente: uma revisão integrativa comparativa
New therapeutic approaches in resistant arterial hypertension: a comparative integrative review
DOI:
https://doi.org/10.33362/ries.v14i2.3797Palavras-chave:
Hipertensão, Resistência a medicamentos, Desfecho do tratamento, Manejo da doença, Agentes anti-hipertensivosResumo
A hipertensão arterial resistente é uma condição clínica definida como pressão arterial persistentemente elevada mesmo com uso otimizado de três classes distintas de anti-hipertensivos em doses máximas toleradas. Em relação aos tratamentos convencionais, destacam-se a mudança no estilo de vida e a terapia medicamentosa. Os procedimentos modernos incluem a espironolactona e a denervação simpática renal. Esta revisão visa avaliar a eficácia desses novos tratamentos em comparação às terapias convencionais. Trata-se de uma revisão integrativa, com busca realizada na base de dados PubMed. Foram utilizados descritores controlados MeSH combinados pelos operadores booleanos AND e OR, sendo os descritores: Hypertension; Drug Resistance; Treatment Outcome; Antihypertensive Agents e Health Behavior. Os critérios de inclusão foram ensaios clínicos randomizados publicados nos últimos dez anos, que avaliassem tratamentos convencionais e novas tecnologias. Excluíram-se artigos sem dados relevantes, indisponíveis ou pagos para leitura na íntegra. Dessa forma, foram selecionados dez estudos. A denervação renal apresentou resultados heterogêneos, dependendo do perfil dos pacientes e da técnica aplicada. A espironolactona demonstrou eficácia consistente na redução da pressão arterial, sendo considerada terapia de quarta linha, embora associada a risco de hipercalemia e alterações na função renal. O exercício físico evidenciou impacto positivo no controle pressórico, contribuindo para a redução da morbimortalidade cardiovascular. Portanto, o manejo da hipertensão arterial resistente deve envolver intervenções combinadas, incluindo estratégias farmacológicas e não farmacológicas. A denervação renal é promissora, mas seus efeitos permanecem controversos; a espironolactona é eficaz, porém requer cautela devido aos riscos; e o exercício físico se destaca como uma abordagem segura, acessível e benéfica.
Palavras-chave: Hipertensão. Resistência a medicamentos. Desfecho do tratamento. Manejo da doença. Agentes anti-hipertensivos.
Abstract: Resistant arterial hypertension is a clinical condition defined as persistently elevated blood pressure despite the optimized use of three distinct classes of antihypertensive agents at maximum tolerated doses. Conventional treatments include lifestyle modification and pharmacological therapy. Modern procedures include the use of spironolactone and renal sympathetic denervation. This review aims to assess the efficacy of these new treatments compared to conventional therapies. It is an integrative review, with a search conducted in the PubMed database. Controlled MeSH descriptors were used, combined by the Boolean operators AND and OR: Hypertension; Drug Resistance; Treatment Outcome; Antihypertensive Agents; and Health Behavior. Inclusion criteria consisted of randomized clinical trials published in the last ten years that evaluated conventional treatments and new technologies. Articles without relevant data, unavailable, or requiring payment for full access were excluded. Thus, ten studies were selected. Renal denervation showed heterogeneous results depending on patient profile and technique applied. Spironolactone demonstrated consistent efficacy in reducing blood pressure, being considered a fourth-line therapy, although associated with risk of hyperkalemia and renal function alterations. Physical exercise showed a positive impact on blood pressure control, contributing to the reduction of cardiovascular morbidity and mortality. Therefore, the management of resistant arterial hypertension should involve combined interventions, including pharmacological and non-pharmacological strategies. Renal denervation is promising but remains controversial; spironolactone is effective but requires caution due to potential risks; and physical exercise stands out as a safe, accessible, and beneficial approach.
Keywords: Hypertension. Drug Resistance. Treatment Outcome. Disease management. Antihypertensive agentes.
Resumen: La hipertensión arterial resistente es una condición clínica definida como presión arterial persistentemente elevada a pesar del uso optimizado de tres clases distintas de antihipertensivos en dosis máximas toleradas. Los tratamientos convencionales incluyen la modificación del estilo de vida y la terapia farmacológica. Los procedimientos modernos incluyen el uso de espironolactona y la denervación simpática renal. Esta revisión tiene como objetivo evaluar la eficacia de estos nuevos tratamientos en comparación con las terapias convencionales. Se trata de una revisión integradora, con una búsqueda realizada en la base de datos PubMed. Se utilizaron descriptores controlados MeSH combinados mediante los operadores booleanos AND y OR: Hypertension; Drug Resistance; Treatment Outcome; Antihypertensive Agents; y Health Behavior. Los criterios de inclusión fueron ensayos clínicos aleatorizados publicados en los últimos diez años que evaluaran tratamientos convencionales y nuevas tecnologías. Se excluyeron los artículos sin datos relevantes, no disponibles o de acceso pago. De esta manera, se seleccionaron diez estudios. La denervación renal mostró resultados heterogéneos según el perfil de los pacientes y la técnica aplicada. La espironolactona demostró eficacia consistente en la reducción de la presión arterial, considerándose una terapia de cuarta línea, aunque asociada a riesgo de hiperpotasemia y alteraciones en la función renal. El ejercicio físico evidenció un impacto positivo en el control de la presión arterial, contribuyendo a la reducción de la morbimortalidad cardiovascular. Por lo tanto, el manejo de la hipertensión arterial resistente debe involucrar intervenciones combinadas, incluyendo estrategias farmacológicas y no farmacológicas. La denervación renal es prometedora, pero sus efectos siguen siendo controvertidos; la espironolactona es eficaz, pero requiere precaución debido a los riesgos; y el ejercicio físico se destaca como una estrategia segura, accesible y beneficiosa.
Palabras clave: Hipertensión. Resistencia a medicamentos. Resultado del tratamento. Manejo de la enfermedad. Agentes anti-hipertensivos.
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