Panorama dos grupos de pesquisa em direito internacional no Brasil: uma análise a partir do diretório do CNPq (2025)

Overview of international law research groups in Brazil: an analysis based on the CNPq directory (2025)

Autores

  • Maria Gabrielle Sousa Universidade Federal do ABC
  • Ariele da Silva Hernandez Faculdade Metropolitana de Manaus
  • Sand J.M. Ziolkowski
  • Carlos Eduardo do Valle Pereira Faria dos Santos Universidade do Estado do Amazonas
  • Natália Cristina Corrêa Castelo Branco Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.33362/juridico.v15i1.4013

Resumo

O estudo examina a configuração dos grupos de pesquisa em Direito Internacional no Brasil a partir do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, tomando a base corrente consultada em 25 de setembro de 2025 como retrato transversal do campo. Parte-se do entendimento de que o grupo opera como instância de formação, produção e reconhecimento institucional, de modo que sua certificação, sua atividade cadastral, sua vinculação institucional e sua composição permitem ler o grau de institucionalização da área. O objetivo é caracterizar esses grupos quanto à situação no Diretório, ao ano de formação, ao último envio de dados, à natureza institucional, à distribuição regional e à composição de integrantes. A pesquisa combina revisão bibliográfica e análise documental de 38 espelhos de grupos, com frequências absolutas e relativas, teste exato de Fisher, teste de Mann-Whitney e correlação de Spearman. Os resultados indicam que 52,6% dos grupos estão certificados e atualizados, que 81,6% foram formados a partir de 2011, que 55,3% enviaram dados em 2025 e que 13,2% nunca o fizeram. As universidades públicas reúnem 73,7% dos grupos, e o Sudeste e o Sul, 76,3%. A certificação atualizada é mais frequente no setor público do que no privado (64,3% contra 20,0%; p = 0,027). Os 700 integrantes são majoritariamente estudantes (62,0%), com presença residual de técnicos (0,6%) e de colaboradores estrangeiros (1,4%). Conclui-se que a institucionalização do Direito Internacional como área de pesquisa é recente, territorialmente concentrada e dependente da universidade pública, com função formativa já instalada e baixa densidade de apoio técnico e de cooperação estrangeira.

Palavras-chave: Direito Internacional; grupos de pesquisa; CNPq; institucionalização.

Abstract:

This study examines the configuration of International Law research groups in Brazil based on the CNPq Directory of Research Groups, taking the current database consulted on September 25, 2025 as a cross-sectional portrait of the field. It assumes that the research group operates as an instance of training, production and institutional recognition, so that its certification, registration activity, institutional affiliation and composition allow a reading of the degree of institutionalization of the area. The objective is to characterize these groups regarding their status in the Directory, year of formation, last data submission, institutional nature, regional distribution and membership. The research combines bibliographic review and documentary analysis of 38 group records, using absolute and relative frequencies, Fisher's exact test, the Mann-Whitney test and Spearman's correlation. The results show that 52.6% of the groups are certified and updated, that 81.6% were formed from 2011 onwards, that 55.3% submitted data in 2025 and that 13.2% never did so. Public universities host 73.7% of the groups, and the Southeast and South regions account for 76.3%. Updated certification is more frequent in the public sector than in the private sector (64.3% versus 20.0%; p = 0.027). The 700 members are mostly students (62.0%), with residual presence of technicians (0.6%) and foreign collaborators (1.4%). The study concludes that the institutionalization of International Law as a research area is recent, territorially concentrated and dependent on public universities, with an established training function and low density of technical support and foreign cooperation.

Keywords: International Law; research groups; CNPq; institutionalization.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Gabrielle Sousa, Universidade Federal do ABC

Mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal do ABC. Bacharel em Direito pela Uninove. Email:
mariagfvs19@gmail.com.

Ariele da Silva Hernandez , Faculdade Metropolitana de Manaus

Graduanda em Direito pela Faculdade Metropolitana de Manaus. Email: arielesh6@gmail.com

Sand J.M. Ziolkowski

Mestranda. Email: sand.dejesus@gmail.com

Carlos Eduardo do Valle Pereira Faria dos Santos , Universidade do Estado do Amazonas

Bacharel em Direito pela UNIP. Mestrando em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos pela
Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Email: valle.carlosed@gmail.com

Natália Cristina Corrêa Castelo Branco , Universidade Federal Fluminense

Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense. Currículo Lattes:
https://lattes.cnpq.br/3726627584259208. E-mail: profnataliacastelobranco@gmail.com

Referências

ARAUJO, Ronaldo Ferreira. Os grupos de pesquisa em ciência, tecnologia e sociedade no Brasil. Revista Brasileira de Ciência, Tecnologia e Sociedade, v. 1, n. 1, 2009.

CARVALHO, Fabia F.; FREITAS, Lucas C. Do avesso: organização interna dos Estados e a noção de civilização nos textos dos juristas internacionalistas brasileiros entre 1889 e 1930. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 20, n. 1, p. 97-118, 2023.

DE ASSIS PIMENTEL, Giuliano Gomes; NUNES, Tiago Rodrigo Alves. Produção acadêmica nos estudos do lazer: comparação por estados, instituições e grupos de pesquisa. LICERE-Revista Do Programa De Pós-Graduação Interdisciplinar Em Estudos Do Lazer, v. 19, n. 4, p. 180-200, 2016.

KALLÁS, Fernanda A.; CAETANO, Fernanda. A imunidade de jurisdição das Organizações Internacionais face ao direito de acesso à justiça. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 3, p. 283-299, 2016.

HAYASHI, Carlos Roberto Massao; FERREIRA JUNIOR, Amarílio. O campo da história da educação no Brasil: um estudo baseado nos grupos de pesquisa. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas), v. 15, p. 167-184, 2010.

LEITÃO, Roberto G.; LEITÃO, Rômulo G. Direito Internacional Imperial e a circulação de uma cultura jurídica hegemônica: por uma matriz desenvolvimentista brasileira. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 19, n. 3, p. 151-172, 2022.

MACEDO, Paulo E. V. Borges de. O Direito das Gentes contra a escravidão em Padre Antônio Vieira. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 19, n. 3, p. 131-150, 2022.

MORAES, Isaías A. de; MORAES, Flávia A. de; MATTOS, Beatriz R. B. O Mercosul e a importância de uma legislação ambiental harmonizada. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 9, n. 3, p. 57-74, 2012.

MAINARDES, Jefferson. Grupos de pesquisa em educação como objeto de estudo. Cadernos de Pesquisa, v. 52, p. e08532, 2022.

MORE, Rodrigo F. Quando cangurus voarem: a declaração unilateral brasileira sobre direito de pesquisa além dos limites da plataforma continental – 2010. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 9, n. 1, p. 113-130, 2012.

MOROSINI, Fábio; XAVIER JÚNIOR, Ely C. Regulação do investimento estrangeiro direto no Brasil: da resistência aos tratados bilaterais de investimento à emergência de um novo modelo regulatório. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 12, n. 1, p. 45-64, 2015.

OLIVEIRA, Carina C. de; COELHO, Luciana. Os limites do planejamento da ocupação sustentável da zona costeira brasileira. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 12, n. 1, p. 229-248, 2015.

PALERMO, Marcos P.; FLORES, Alfredo de J. D. M. O Uti Possidetis como contribuição latino-americana ao Direito Internacional. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 19, n. 3, p. 173-192, 2022.

RAPINI, Márcia Siqueira; RIGHI, Hérica Morais. Interação universidade-empresa no Brasil em 2002 e 2004: uma aproximação a partir dos grupos de pesquisa do CNPq. Revista Economia, v. 8, n. 2, p. 248-268, 2007.

SILVA, Alexandre P. O Direito do Mar no Brasil em dois episódios: a Guerra da Lagosta e o mar territorial de 200 milhas marítimas. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 19, n. 3, p. 193-212, 2022.

SILVA, Eric M. C. Os benefícios tributários do programa Inovar-Auto e os princípios da Nação Mais Favorecida e do Tratamento Nacional: análise dos argumentos dos painéis contra o Brasil na OMC. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 3, p. 187-210, 2016.

SILVA, Karine de S. Meu mundo, minhas regras: Direito Internacional, branquitude e genocídio do povo negro brasileiro. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 20, n. 1, p. 119-140, 2023.

SCHMITT, Beatriz Dittrich; BATAGLION, Giandra Anceski; MAZO, Janice Zarpellon. Estudos socioculturais: um olhar para os grupos de pesquisa do brasil. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 28, n. 2, 2020.

VIEIRA, André L. V. Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais: tramitação legislativa nacional e vigência internacional para o Brasil. INTER: Revista de Direito Internacional e Direitos Humanos, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 69-88, 2022.

VILARINO, Guilherme Torres et al. Análise dos grupos de pesquisa em psicologia do esporte e do exercício no Brasil. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 39, n. 4, p. 371-379, 2017.

Downloads

Publicado

2026-10-19

Como Citar

SOUSA, Maria Gabrielle; DA SILVA HERNANDEZ , Ariele; J.M. ZIOLKOWSKI , Sand; DO VALLE PEREIRA FARIA DOS SANTOS , Carlos Eduardo; CORRÊA CASTELO BRANCO , Natália Cristina. Panorama dos grupos de pesquisa em direito internacional no Brasil: uma análise a partir do diretório do CNPq (2025): Overview of international law research groups in Brazil: an analysis based on the CNPq directory (2025). Ponto de Vista Jurídico, Caçador (SC), Brasil, v. 15, n. 1, p. e4013-e4013, 2026. DOI: 10.33362/juridico.v15i1.4013. Disponível em: https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/juridico/article/view/4013. Acesso em: 5 nov. 2026.